Administração Municipal anuncia a retomada das obras no antigo Teatro Carlos Gomes

Atualizado em: 04/01/2019

Na tarde da última quinta-feira (03/01), o Prefeito Jesus Chedid e o Vice-prefeito Amauri Sodré receberam no Gabinete do Executivo o arquiteto Affonso Risi Junior para a apresentação do projeto de restauração do antigo Teatro Carlos Gomes. Após muitas tratativas e um trabalho árduo da Administração Municipal para dar andamento nas obras de reforma e restauração do prédio, é com alegria que o atual Governo anuncia o andamento no processo e a retomada das obras no local, para fortalecer a cidade de Bragança Paulista como destino turístico.

De acordo com o arquiteto responsável pelo projeto, Affonso Risi Junior, “Uma cidade do porte de Bragança merece uma obra como essa e deve pensar grande, como no início de sua urbanização e as grandes conquistas dos bragantinos no final do século XIX com a Ferrovia Bragantina, a Usina de Energia, a Companhia Telefônica, a Fábrica de Lâmpadas – pioneira no país - e o Teatro de Ópera – Carlos Gomes”. Ele ainda comentou que ao longo dos anos o prédio passou por grandes intervenções a cada ocupação como o Colégio São Luiz e o Colégio João Carrozo. O arquiteto buscou no projeto de restauro e reforma resgatar as estruturas originais do prédio, com reaproveitamento do espaço com a integração de novas funções, transformando-o em um Centro Cultural.

“O primeiro Teatro do interior do Estado de São Paulo foi superdimensionado para Bragança Paulista, que possuía cerca de 8 mil habitantes na zona urbana da cidade, considerando que o local possuía 1200 lugares. Por isso seus anos de funcionamento na cidade foram curtos, entre 8 e 10 anos, apenas”, relatou Risi. Além disso, informou que hoje o local onde o prédio está localizado é nobre, no alto da cidade, área central, próximo ao Parque Jardim Público, o que também não era evidenciado na época de sua construção, quando fazia fundos com o antigo cemitério da cidade e nas imediações da cadeia pública.

Os componentes que integram o projeto desse Centro Cultural são: saguões, átrio, teatro de arena  para 100 espectadores, galeria de arte, salões de exposições, salas para oficinas, workshops e cursos, recepção, pátio, guarita, sanitários, camarins, 8 salas de aula, administrativo, secretaria, elevadores, Teatro Carlos Gomes para 284 espectadores com mezaninos, sala de apoio, Secretaria de Cultura e Turismo, biblioteca adulta com acervo para 22.500 livros e biblioteca infantil mais sala de leitura, salão de atos públicos, elevador panorâmico, entre outros espaços totalmente adaptados para acessibilidade.

Cabe acrescentar que, por conta própria, o arquiteto também projetou uma estrutura em madeira e vidro adicional para a área de lazer situada entre a Rua Conselheiro Rodrigues Alves e José Guilherme, a qual abrigaria um comércio atrativo que faria a composição com as imediações. Para a realização desse segundo empreendimento, a Administração prevê a obtenção de recursos adicionais, que poderão ser conquistados por meio de parcerias com empresas que queiram investir na cultura e recursos do Governo.

“Esse Centro Cultural deverá se tornar referência nacional! Uma obra grandiosa, que teve grande esforço da nossa Administração nos ajustes financeiros necessários e nas tratativas com o Governo do Estado. Pretendemos entregar essa grande obra até dezembro de 2020”, comentou o Prefeito Jesus Chedid. Ainda segundo ele, foram conquistados junto ao DADETUR cerca de 7 milhões de reais (R$6.891.570,00) - todo o investimento do departamento para o exercício de 2018. A cidade também tem reservado para a conclusão do projeto mais 3,2 milhões do DADETUR 2019. Esses recursos foram conquistados com muito esforço tanto da Administração quanto do Deputado Edmir Chedid que não mediu esforços para recuperar os convênios perdidos de 2009.

Para dar início aos trâmites legais e agilidade no início das obras, no dia 17 de janeiro, às 9h30 acontecerá a abertura da sessão da Concorrência Pública nº 16/2018, que visa contratar empresa especializada para obras de reforma e restauração do prédio – FASE 3, com o objetivo de dar continuidade nas obras iniciadas nas fases 1 e 2 e que foram paralisadas. Segundo explicou o Setor de Convênios, as duas primeiras fases da obra tinham recursos oriundos de convênios assinados em 2009 e 2010 com a Secretaria de Estado de Turismo, por meio do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (DADETUR).

Em virtude da não entrega das obras, que vêm se arrastando nos últimos anos sem avanços ou conclusão, no final de 2016, o Governo cancelou os empenhos desses convênios, deixando-os sem lastro financeiro para continuidade da obra. A Administração trabalhou muito na tentativa de recuperá-los, mas o Estado queria que o Município devolvesse 8 milhões com juros e correções monetárias, pleito que foi superado nas tratativas da Prefeitura de Bragança Paulista, por intermédio do trabalho do Deputado Estadual Edmir Chedid.

Segundo o Secretário Paulo Armando, a Secretaria Municipal de Obras adequou a metodologia executiva e fará um acompanhamento rígido nas obras, adotando o sistema de medição e cronograma de acordo com os critérios utilizados pela Companhia Paulista de Obras e Serviços – CPOS, órgão vinculado ao DADETUR. De acordo com o Edital da Concorrência Pública, a obra está orçada em R$ 7.997.300,83, sendo 86,17% recursos DADETUR 2018 (R$ 6.891.570,00) e 13,83% contrapartida da Prefeitura (R$ 1.105.730,83). O prazo estipulado para a entrega desta fase é de nove meses.

O Prefeito Jesus Chedid, ainda informou que “Ontem (02/01), fechamos com a Flasa Engenharia a negociação dos restos a pagar apurados pelo Tribunal de Contas, oriundos da rescisão contratual que fizemos com a empresa que tocava a obra. A Prefeitura pagará em torno de 750 mil reais, sendo 400 mil agora em fevereiro e o saldo em 12 parcelas, evitando que a empresa, eventualmente, no futuro prejudicasse o andamento da obra com ações judiciais nesse sentido”.

Convidado pelo Prefeito, o ex-vice-prefeito de Bragança Paulista, Luiz Gonzaga Pires Mathias (2009 – 2012) que acompanhou a confecção do projeto pelo arquiteto Affonso Risi, disse que: “Sinto uma emoção muito grande hoje, essa obra está enraizada na cidade – um pedaço da história de valor inestimável. A criação desse grande Centro Cultural não é obra para qualquer prefeito, mas para aquele que tem sensibilidade. A cidade só não perdeu mais por conta da atuação do Deputado Edmir Chedid, em conseguir essa articulação na disponibilização de recursos”.

Todos os presentes se manifestaram contentes e com as esperanças renovadas, confiantes que a obra será realizada e a cidade contará com esse grande Centro Cultural. Esse novo espaço deverá atrair grande público para a região, fortalecendo assim o turismo, o comércio e novas oportunidades de trabalhos para a cidade de Bragança Paulista.

Acompanharam esse momento histórico o Prefeito Jesus Chedid, o Vice-prefeito Amauri Sodré, o ex-vice-prefeito Luiz Gonzaga Pires Mathias os Secretários Municipais Marcelo Alexandre Soares da Silva (Planejamento), Antonio Paulo de Oliveira Armando (Obras), Tiago José Lopes (Assunto Jurídicos), Vanessa Nogueira (Cultura e Turismo), Marina de Fatima de Oliveira (Saúde), Rodrigo Demattê Angeli (Desenvolvimento Econômico), Marcos Leopoldo Tasca (Governo), José Galileu de Mattos (Chefe de Gabinete), Luciano Aparecido de Lima (Finanças), Jota Malon (Especial de Gabinete) e Sandra Teixeira (respondendo pela Juventude, Esporte e Lazer). Além disso, estiveram presentes os vereadores Paulo Mário, Sidiney Guedes, Marco Antonio Marcolino, Ditinho Bueno e Basílio Zechinni, o Vice-presidente da OAB Gustavo Risi, o engenheiro da Secretaria de Obras José Omair e o Chefe da Divisão de Obras Luiz Roberto Lisa Sanchez, o ex-secretário de Cultura e Turismo Cleber Centini, imprensa e demais convidados.

Histórico do Prédio

No final do século XIX, Bragança Paulista respirava e vivia o progresso de uma cidade bem localizada – uma rota de riqueza e desenvolvimento, com iniciativas significativas como a Estrada de Ferro Bragantina (inaugurada em 1884) e o escoamento das grandes produções de café da região. Nesse período próspero, alguns cavalheiros da cidade, tendo à frente os cidadãos Felippe Rodrigues de Siqueira e Izidro Gomes Teixeira, resolveram construir um teatro a frente do seu tempo, que se tornaria um dos prédios mais emblemáticos de Bragança.

A riqueza dos fazendeiros do café financiou a construção, entre 1892 e 1894, do prédio que retratava e refletia a importância e a abundância da cidade naquele período da história. A inauguração Teatro Carlos Gomes – primeiro do interior do Estado de São Paulo – ocorreu com grande entusiasmo cultural com as apresentações das óperas Guarany e Bohème pela Companhia Lyrica ROTOLI E PERI. Um prédio majestoso, de riqueza arquitetônica ímpar, ocupando uma área de quase 4 mil metros, com capacidade de receber mais de mil pessoas.

Por quase uma década o Teatro Carlos Gomes trouxe grandes espetáculos e trabalhos de renomadas Companhias à cidade, infelizmente, o maior acontecimento da história da cidade também foi alvo de críticas quanto a sua localização (longe do então centro urbano, fazendo parte do entorno do Cemitério da cidade e da Cadeia Pública) e baixo número de espectadores. Além disso, com o início do declínio da riqueza cafeeira, o imponente prédio enfrentava sua primeira crise e chegou a ser usado para bailes, chás da tarde da alta sociedade bragantina, ringue de patinação, espaço para tiro ao alvo, barracão carnavalesco, estabelecimento de lavagem de roupa e até fábrica de jacás para exportação de toucinho. Foram os primeiros anos de abandono e à mercê da ação do tempo, chegando à falência em meados de 1920.

Com isso, diversos coproprietários manifestaram interesse em transferirem suas partes do Teatro à Câmara Municipal, para que essa zelasse pela manutenção do prédio. Por fim, a Câmara acabou adquirindo o local e adaptando-o para receber um colégio católico para a formação de meninos – uma das exigências para a criação da Diocese de Bragança. Assim, por volta de 1925 e após grandes intervenções na sua estrutura colégio conferindo ao prédio seu desenho atual, o local se transformou no Colégio São Luiz, escola mantida pela Diocese de Bragança Paulista, tendo como fundador Dom José Maurício da Rocha, primeiro bispo da cidade, e primeiros professores os padres da paróquia. Depois da década de 30, vieram os agostinianos. Durante os anos de funcionamento, a instituição foi referência educacional recebia jovens de toda a região e de São Paulo, além de atrair estudantes também para seu regime de internato. Suas atividades foram encerradas em 1968.

Dos anos 70 em diante, o prédio abrigou inúmeras outras escolas, instituições e atividades, com destaque para a primeira sede da Faculdade de Ciências e Letras de Bragança Paulista, hoje Fesb, e para o Colégio Técnico João Carrozo (1980-2000).

Na gestão do Prefeito Jesus Chedid, com o fechamento do colégio, o prédio foi tombado como patrimônio histórico e declarado, por meio do Decreto nº12110/2002, de utilidade pública, para fins de desapropriação, sendo adquirido da Diocese de Bragança Paulista nas tratativas com o Bispo Dom Bruno Gamberini. Ainda em sua gestão, o Jesus Chedid também nomeou uma comissão específica com o objetivo de propor sugestões para a reforma e restauração do antigo prédio do "Teatro Carlos Gomes" e "Colégio Diocesano São Luiz" (Decreto nº13.228, de 20 de abril de 2005).

Desde 2005, o prédio se encontrava desativado, desprotegido, alvo de constantes invasões e da ação implacável do tempo. Em junho de 2010, sofreu avarias avassaladoras num grande incêndio que se alastrou pelo edifício. Por muitos anos tentaram realizar sua reforma e restauração, sem avanços.

Em 2019, a Administração Municipal do Prefeito Jesus Chedid e Vice Amauri Sodré pretende deixar uma marca histórica na cultura e no turismo da cidade com a reconstrução desse monumento, que depois de abrigar tantas atividades diversas, deve recuperar sua vocação original como um centro difusor de diversas manifestações culturais de referência nacional – um destino digno e à altura do primeiro Teatro do interior do Estado de São Paulo.