Fórum da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres reúne mais de 180 pessoas

Publicado em: 27/11/2019

Os dados recolhidos durante essa capacitação servirão de base para a construção de políticas públicas fundamentais para o combate à violência de gênero.

No Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher (25/11), foi realizado em Bragança Paulista o Fórum da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres. O evento aconteceu no Clube de Regatas Bandeirantes e reuniu mais de 180 pessoas interessadas e dispostas a colaborar e construir políticas públicas voltadas ao combate à violência de gênero.

Com a presença de autoridades e especialistas no tema, além de apresentações culturais, espaço beleza e sorteio de brindes, os presentes tiveram mais de 8 horas de capacitação. Na abertura do evento, estiveram presentes o Vice-prefeito Amauri Sodré, a Presidente do Fundo Social de Solidariedade e da Coordenadoria de Políticas paras as Mulheres Francine Pereira, as Secretárias Municipais Margarete Alvarenga (Ação e Desenvolvimento Social) e Gislene Bueno (Agronegócios), os vereadores Beth Chedid, Fabiana Alessandri, Paulo Mário e Mário B. Silva.

“Estou muito feliz por esse momento e pelas parcerias que temos no município. Estamos todos juntos no enfrentamento a este problema mundial que é a violência contra a mulher. Infelizmente, o Brasil é o quinto país onde mais morrem mulheres vítimas do feminicídio – homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher. Para fazer a diferença precisamos começar pela cidade, por isso esse Fórum é tão importante. Acredito que juntos somos mais fortes”, explanou Francine Pereira.

No uso da palavra, o Vice-prefeito Amauri Sodré parabenizou os presentes pelo empenho na luta contra a violência e salientou os esforços da atual Administração Municipal referentes ao tema. “Todos temos um papel fundamental no combate à violência contra mulher, por isso, continuamente, realizamos capacitações e melhorias no fluxo de atendimento. Nesta segunda-feira, além do Fórum, também realizamos a assinatura para a abertura de licitação para a construção do Centro de Atenção à Saúde da Mulher e o Centro de Atenção à Saúde da Criança”, finalizou o Vice-prefeito.

A abertura do evento contou com apresentação Dança cigana, com Mary Pereira e técnicas de respiração com a professora de Yoga Alessandra Cunha, do Espaço Florescer. Dando início ao ciclo de palestras, a Secretária Municipal de Ação e Desenvolvimento Social Margarete Alvarenga apresentou o Plano de Trabalho do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) em Bragança Paulista; os avanços na proteção das mulheres como, por exemplo, Lei Maria da Penha, medidas protetivas e prisões pelo seu descumprimento, instituição da Lei Municipal nº4537/2016 que implementa o projeto Guardiã Maria da Penha; as formas de prevenção e a procedência dos encaminhamentos para o CREAS.

“Neste ano, o número de encaminhamentos, separados por serviços, ao CREAS foram: 21 pelo projeto Guardiã Maria da Penha, 3 pela Delegacia de Defesa da Mulher, 27 pelo Ministério Público, 19 pelo Disque 100, 31 pelo Conselho Tutelar, 14 pelos CRAS, 10 da Saúde, 16 denúncias anônimas e 35 demandas espontâneas. A violência contra mulher idosa é um agravante que vem nos preocupando muito e que aumento no município. Para combater a violência apresento três propostas: melhorias no acolhimento institucional, facilitar o acesso imediato a tratamentos terapêuticos e de saúde e investir em ações educativas preventivas nas escolas”, completou a Secretária Margarete.

Na sequência, a Profª. Drª. Maria Cristina Zago falou sobre a violência de forma geral e explicou a importância da atenção aos três primeiros anos de vida de um indivíduo, pois é quando se constrói o caráter. “Uma criança que presenciou atos violentos dentro de caso nos primeiros mil dias de vida tenderá a reproduzir esse comportamento na vida adulta, sendo um possível agressor ou vítima de relacionamentos abusivos”, disse a palestrante que realiza mensalmente grupos de estudos na SEMADS na última quarta-feira do mês.

A Coordenadora da Atenção Básica Carina Nogueira fez a explanação sobre o atendimento à mulher vítima de violência, apresentou os três tipos de redes, sendo Atenção Primária – 25 Unidades Estratégia Saúde da Família (ESF), 7 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 1 Unidade Estratégia de Agentes Comunitários da Saúde (EACS); Especializada – 1 CAPS 2, 1 ambulatório infantojuvenil, 1 espaço adolescente e 1 serviço de Atenção Especializada (IST); Urgência e Emergência – SAMU e 2 Unidades de Pronto Atendimento 24 horas UPAs Vila Davi e Bom Jesus.

A primeira parte do evento foi encerrada com apresentação de dança do ventre, com o Espaço Cultural Simone Lima. Após a pausa para o almoço, o evento contou com a presença da maquiadora e manicure Géssica Aline e da designer de sobrancelha Rafaela Nayara que através do cuidado e atenção elevaram a autoestima das presentes. A coordenação do evento também agradece aos expositores Keka Moda Íntima, Nando Fagundes, Luciana Freire, Roseli Pereira Semijoia e os parceiros comerciais que doaram brindes Sooby Motos, Partmed, Grupo Motta, Brag Entulhos, Magrão Funilaria e Pintura, Yalla Escola de Dança Árabe, Universidade São Francisco (USF) e DL Semijoias.

A primeira mulher no comando da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo e uma das indicadas ao Prêmio Viva 2019, na categoria “Segurança e Justiça”, realizado pela revista Marie Claire em parceria com o Instituto Avon, Inspetora Superintendente Comandante Geral Elza Paulina de Souza foi a responsável por abrir os trabalhos da segunda parte do evento. Em sua fala, apresentou os trabalhos realizados pela GCM, a importância da rede de apoio no enfrentamento à violência e o fortalecimento das vítimas. “O silêncio muitas vezes é mais comprometedor que qualquer ação, por isso, a sociedade precisa ser mais ativa na denúncia aos casos de violência, mesmo que de forma anônima”, completou.

Em um dos momentos mais emocionantes do Fórum, a senhora Iracema de Lima Dias Campos falou sobre sua história de vida como mulher negra e vítima de violência doméstica. “A cultura machista prevalece ao longo dos anos, as mulheres eram proibidas de trabalhar fora, votar e casamento era algo para sempre, pois era vergonhoso uma mulher divorciada. Eu vivi em um casamento em que sofria violência e nem meus pais permitiram o divórcio. A violência não escolhe raça ou idade, todas são vítimas. É preciso resgatar o amor-próprio e autoestima. Temos que tomar posse do nosso eu, coragem mulher! Força! Empodere-se e permita-se amar e ser amada”, disse Iracema.

As Guardas Civis Municipais e coordenadoras do projeto Guardiã Maria da Penha, Carmelita de J. Valença e Karen Aparecida da Silva, apresentaram os GCMs de Osasco que estão na cidade para conhecerem as atuações do projeto em Bragança Paulista para implantação na cidade deles. Além disso, apresentaram o fluxo de atendimento, classificação de risco de cada vítima, exemplos de vítimas, casos de prisões em flagrante, participação em conferências, palestras e demais ações. 

As responsáveis por falar sobre o atendimento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foram as Drªs. Eliana Dalla Torre e Dilza Maria Raimundo Cardoso, que explicaram sobre os procedimentos e diferenças da área criminal e civil, as leis que protegem as mulheres e outros locais de atendimento. Para mostrar como a violência contra a mulher atinge toda os filhos e toda estrutura familiar, Simone Miglioretti Marques falou sobre as ações do Conselho Tutelar em Bragança Paulista.

Também fizeram explanações a Delegada da Delegacia de Defesa da Mulher Denise Jordão de Toledo e a Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher  Nilva Ali Sleiman Zeitoun. Antes da abertura para perguntas e respostas o grupo Malungos do Baque se apresentou ao ritmo musical e dança maracatu. 

O Promotor Dr. Rogério José Filócomo Júnior apresentou os três motivos pelo qual se dá a violência: passividade da comunidade, lealdade da própria vítima para com o criminoso e falta de responsabilidade do Poder Público. Após essa breve explanação, os presentes puderam sanar suas dúvidas com o Promotor. No encerramento do Forum, foi realizada uma meditação guiada por Michele Ito, do Instituto Desperttah.

Para o Coordenador Adjunto da Coordenadoria Atílio Nory, o evento foi um sucesso, pois muitas mulheres participaram durante todo o dia de atividades. “Esse é o caminho para começarmos a enfrentar tais questões. A informação muda o mundo”, completou.